O Pix deixou de ser apenas uma infraestrutura doméstica de pagamentos e passou a ocupar o centro de uma disputa entre Brasil e Estados Unidos. O representante comercial americano citou o sistema operado pelo Banco Central entre as barreiras usadas para justificar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Washington afirma não pedir o fim do Pix, mas questiona se uma plataforma pública recebe tratamento diferenciado diante de empresas privadas. Autoridades brasileiras respondem que o serviço ampliou a bancarização, reduziu custos e não impediu o crescimento do número de usuários de cartões.

A escala ajuda a explicar a tensão. O Pix já responde por mais da metade das transações brasileiras em volume e alcança aproximadamente 170 milhões de usuários, equivalentes a 80% da população. No primeiro semestre de 2026, o Banco Central compartilhou informações sobre o modelo com instituições de 65 países.

Para tecnologia, o debate mostra o poder de uma infraestrutura pública baseada em APIs, interoperabilidade e liquidação em tempo real. Quando um padrão reduz a dependência de redes proprietárias, ele altera custos, modelos de negócio e até relações comerciais entre países.

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